Hoje �



05/06/2006 19:27
Conforme o ônibus se afastava da rodoviária, o sol, na sua iminência, dava adeus ao dia mais uma vez.
Fechei os olhos e guardei bem a foto que me era apresentada: Uma janela grande e de vidro aonde a imagem, tão simétrica, me remetia um filme qualquer. um final talvez.
Lembrei de tudo novamente então. Enrolado em um velho cobertor me encolhi como uma conchinha e me entreguei a mais uma releitura. Algo realmente aconteceu. Como se um dia qualquer eu tivesse levantado e simplesmente entendido tudo aquilo que eu andava me escondendo.
Eu não me lembro ao certo a primeira vez que eu percebi, mais em alguns dias o céu da cidade maravilhosa ficava laranja. Nuvens completavam o espetáculo, ondas laranjas atrás do Cristo ou ao fundo do Pão de Açúcar. Algo que eu nunca tinha visto dessa forma, tão espiritual. Cercado de pessoas malucas e de cenários indiscritíveis me tornei Homem. Não aquele tipo de homem que tem cabelo embaixo do braço ou barba completa, mas aquele que se cuida quando está doente ou chora sozinho por não ter com quem dividir uma grande alegria; Que faz a sua própria comida e lava a sua roupa; Aquele que percebe que não existem mais tantas diferenças entre pessoas muito mais velhas do que ele e que se responsabiliza por todos os seus atos. FUCK! Como é difícil crescer.

Chegamos de Trindade por volta das duas horas da tarde. Fui direto para a loja.
Um bilhete dizia para eu ligar pra Ângela minha vizinha maluca. "...Lucas, ele arrombou a porta de madrugada junto com mais três pessoas colocou todas as suas coisas em sacos pretos de lixo e jogou no corredor...". Na minha cabeça uma pessoa não poderia fazer isso. Caos.
Sozinho, Rio de janeiro, sem casa, sem grana, sem ninguém que pudesse resolver algo pra min, ou pelo menos dizer que tudo ficaria bem. Policia, Loja, Policia de novo, Edilson, Policia, advogado, Nada acontece; Tenho um homem de quarenta e poucos anos, propretário do apartamento o qual eu não consigo conversar. Ele sabe que está errado e eu só não consigo acreditar que a justiça no nosso país seja tão ridicula.
Bastou uma conversa de meia hora, na porta da delegacia, com toda a minha verdade a mostra para que ele percebesse que não se tratava mais de uma criança. Algo tinha mudado, fora necessário que eu passasse por tudo sozinho pra vomitar a verdade que ele tanto negava. Ele se sentiu envergonhado, quebrei as pernas dela com menos de 30 palavras. Por fim a justiça foi feita e eu ganhei um presentinho de Deus.

Vi então a lua, grande como um universo; Acompanhei o seu nascimento e a sua morte. Haveriam 18 horas pela frente ainda, tempo mais que suficiente para organizar qualquer coisa que precisasse ser organizada. Preservei o silêncio.

::I'm playing the game,
The one that will take me to my end.
I'm waiting for the rain,
to wash who i'm
::


enviada por bleep






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