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31/08/2004 08:19
"...ao ser destampado pelo gigante, o cofre deixou escapar um hálito glacial. Dentro havia apenas um enorme bloco transparente, com infinitas agulhas internas nas quais se despedaçava em estrela de cores a claridade do crepúsculo. Desconcertado, sabendo que os meninos esperavam uma explicação imediata, José Arcádio Buendia atreveu-se a murmurar: 'é o maior diamante do mundo' - 'não!', corrigiu gigante, 'é gelo'... ...e com a mão posta no bloco, como que prestando um juramento sobre o texto sagrado, exclamou: 'esse é o grande ivento do nosso tempo'..." Nosso tempo, meu tempo, tempo de deduções. Quando pensamos que muito já vivemos vemos que muito havemos à viver.
Vinho, viagem, presentes, música, semente de açai, amigos, feedback, Segurança, back, vale da lua... ...e dentre palavras soltas, certezas incertas se confirmam e colocam dúvidas na minha cabeça; Mais não aquela dúvida formulada e consistente e sim aquela que funciona como uma beliscada na ponta da orelha, não machuca mais ainda assim incomoda. Me vejo muito mais como silencioso observador do que como protagonista em algumas situações. Acho que foi a real forma que encontrei de controlar a minha insegurança perante alguns aspectos da minha vida. Tenho que ser o melhor naquilo que me propor... ...sempre.
Engraçado ver o tempo passar da janela e se deixar levar pelas imagens, que acabam, por sí só, trazendo memórias que eu neanche lembrava de ter vivido. Não que elas estivessem apagadas, mais sim bem escondidas. Essas pequenas memórias, situações e vivências, com certeza são de base para o cara que eu sou hoje, e são elas que me tornam uma pessoa única. Amigos que começo a esquecer o rosto, músicas que se perdem na melodia, lugares que eu sei que estive embora não saiba quando nem porque. Será que conforme vamos envelhecendo passamos a apagar o passado para dar espaço para memórias mais recentes? Seria cruel se eu não pudesse lembrar de sensações, aromas, imagens que me remetem a tantas definições e simplesmente apagasse inconscientemente esses fragmentos de memória da minha cabeça. Quem sabe no futuro tudo isso se torne mais compreensível.
Não adianta entrar em discussão comigo mesmo, a vida é cheia de coisas estranhas mesmo, e por mais que eu tente, quem sou eu para decifrá-las, para predispor regras de como se fazer isso ou aquilo. Cada momento pede uma ação e isso vai da estrutura de cada um. Seja quais forem os caminhos, se eu os escolho, eles passam a serem os certos.
"...Lontano da me in me esisto, fuori da chi io sono,l'ombra e il movimento in cui consisto..."
enviada por bleep
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